27 novembro 2021 — 6 janeiro 2022 /// @fabricafeatureslisboa
cartaz exposição
obras
“então...gravei.” #1, 2018 
Livro impresso a jato de tinta 
20 x 13,5 x 1,5 cm
+
“então...gravei.” #4, 2019 
Vídeo-performance Full HD, 16:9, cor, sem som
3h 9’ 9’’

“então...gravei.” #11, 2020 
Vídeo-performance 2K, 16:9, preto e branco, sem som
3h 54’ 46’’
Vídeo-scroll texto na montra
"então...gravei.” #12, 2020 
bordado sobre tecido
70 x 37 x 0,5 cm
20 de 52270

“então...gravei.” #15, 2021 
Arduino, ecrã led, leitor de cartões, código, sem som
53h 35’ 20’’

“então...gravei.” #16, 2021 
Vídeo Full HD, 16:9, preto e branco, sem som 
1h 51’ 13’’
texto curadoria
Em meados do ano passado, pelo meio de constrangimentos pandémicos, aberturas e fechamentos, o embrião para esta exposição individual surgiu. Na altura, com obras mais ou menos escolhidas, o desafio era habitar o espaço da Fabrica Features Lisboa. Não tendo em conta, inocentemente, que no caso deste trabalho é o espaço que habita as obras, e dado o conhecimento que já tenho do projeto “então…gravei.”, seria de esperar menos ingenuidade. Ao longo do tempo, e quando se voltou a preparar a exposição, apercebemo-nos que a “Fabrica” estava refém destes seis objetos que a tornam completamente irrelevante. ​​​​​​​
Liquidar pretende apresentar um diagrama textual e performativo em torno da linguagem, e esta, matéria etérea da exposição, é indiferente ao espaço e ao corpo. O texto é o referente e o antecedente, é diegético e extradiegético. Inerentemente ligado à tecnologia que o gerou, quer seja no hardware de um qualquer dispositivo informático, quer seja na técnica antiga de coser ou bordar, espraia-se como processo necessário à comunicação, não há qualquer cartografia ou sinalética, há um confronto entre a manualidade e a mecanicidade revelante das linhas de força que orientam a exposição.
O espaço, que é reduzido à linguagem e arrasado pela mesma, obriga as obras a conviverem paradoxalmente com uma loja de bricabraques no último andar de uma multinacional de vestuário rápido. “então…gravei.” não compila objetos decorativos que integrem uma qualquer estética funcional ou de design, no entanto também não vive de uma organização formal e artística adequada à norma contemporânea. A falsa serialidade deste projeto parte do resultado de 37 gravações registadas ao longo do ano de 2016 que são mais tarde dissolvidas em diferentes meios, criando diferentes ligações. Aqui, na “Fabrica”, é a relação criada entre os objetos que reflete a especificidade de cada meio que é trabalhado pelo artista. 
Como qualquer montra em Liquidação Total, qualquer fim de semana de Black Friday, ou rebaixas de primavera-verão, o saldo da Rua Garrett 83, Lisboa é positivo. O que resta em Liquidar, e talvez em todo este quarteirão milionário do Chiado, são as obras do gonssalo.



texto por João Reis
Folha de sala
folha de sala - frente
folha de sala - frente
folha de sala - verso
folha de sala - verso
Equipa:
Curadoria: João Reis
Produção: Ana Manana
Divulgação: Mariana Calado
Apoio Técnico: Octávio Nuno e Francisco Nunes
Design: Diogo Tomás
Registo Fotográfico: Gonçalo C. Silva
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